SSD: um excelente upgrade para Desenvolvedores de Software

Não é do meu costume escrever textos envolvendo hardware e/ou manutenção de computadores, visto que para quem trabalha com criação de Software, esta área é praticamente uma abstração. Mas, tendo em vista o meu recente êxito por ter feito um bom upgrade em meu PC, não podia deixar de compartilhar.

Há algum tempo atrás, após uma série de lentidões e constantes quedas de frames (em jogos) com um hardware defasado, resolvi fazer um upgrade. Foram gastos R$ 2281,82 com praticamente o que tinha de melhor em processador, memória e placa mãe (para computadores pessoais), conforme mostra a figura abaixo.

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Contudo, após a instalação destes componentes, o resultado percebido não compensou o investimento. É óbvio que em algumas áreas como jogos, o resultado foi bom, porque aumentou o frame-rate dos jogos mais pesados (lembrando que cálculos de I/A e física são feitos pela CPU e não pela GPU), mas para o restante dos aplicativos, especialmente aqueles que envolvem desenvolvimento de sistemas, como Eclipse, NetBeans e Visual Studio, o ganho de performance foi de pequeno para médio, pois algumas lentidões e “travadinhas” permaneceram. Aliado a este fracasso, já ouvi de alguns colegas de profissão relatos de pouca melhoria de performance em upgrades deste porte, seja em PCs desktop ou com aquisições de notebooks mais potentes.

Baseado no que foi relatado, restou a alternativa de efetuar um upgrade no velho vilão de latência, conhecido por muitos como HD (Hard Disk). Upgrades em HDs geralmente são feitos para aumentar o espaço, raramente usuários comuns pensam em efetuar novas aquisições visando performance nestes dispositivos. Contudo, é do conhecimento de muitos que o HD é um dispositivo mecânico e que o seu tempo de acesso é infinitamente inferior ao da memória RAM, tendo como consequência uma série de latências para buscar blocos de dados. Se a partição do HD estiver desfragmentada, então o tempo é ainda pior. Com isso, restaram duas alternativas: ou buscar um HD com rotação maior, ou procurar um novo dispositivo. HDs com rotações maiores (15.000 RPM por ex) geralmente são utilizados quase que exclusivamente em servidores, pois são muito caros. A alternativa então foi utilizar um novo dispositivo, chamado de SSD.

O SSD é basicamente um dispositivo que armazena os dados em chips de memória FLASH, assim como os pendrives, contudo existem algumas diferenças, pois o SSD utiliza o barramento SATA (assim como os HDs), ao invés das entradas USB, como é utilizado pelos pendrives. Com isso o SSD possui velocidade superior aos pendrives, pois o barramento USB trafega tanto dados quanto a energia de alimentação para o dispostivo conectado, ao contrário do SATA que trafega exclusivamente dados. E o SSD também possui performance geralmente superior aos HDs, pois os dados não são gravados e acessados de forma mecânica, gerando latências e fragmentação. Existem outras vantagens dos SSDs como economia de energia, menor barulho, maior resistência à quedas, etc.. Após algumas pesquisas de preço e marcas, foi realizada a compra do SSD, como mostra a figura abaixo. A princípio alguns podem se assustar por APENAS 120 gb de dados custarem R$ 522.62, mas pelo menos por enquanto, o SSD ainda não é um dispositivo para substituir completamente o HD em computadores pessoais, este o substitui apenas para armazenar as instalações dos aplicativos (Windows/Linux, Office, Photoshop, Java, Eclipse, Visual Studio, etc..). Arquivos como fotos, vídeos, músicas, dentre outros, devem permanecer em um HD com maior capacidade de armazenamento. Por isso, cada um deve analisar a quantidade de espaço necessário para armazenar os arquivos de instalação dos seus devidos aplicativos, e comprar um SSD com tamanho compatível.

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Outro fator relevante na compra do SSD é analisar a capacidade de leitura/escrita do mesmo. Caso o leitor não possua um PC com SATA 3, SSDs que lêem apenas em SATA 2 geralmente são mais baratos, pois possuem menor velocidade na leitura/escrita. Também é importante buscar avaliar os benchmarks dos SSDs na Internet, existe uma considerável discrepância de performance entre diversas marcas de SSDs.

A figura abaixo mostra os benchmarks realizados em um PC com quatro dispositivos de armazenamento conectados neste. Esta figura contém quatro colunas, separando cada um destes dispositivos. A primeira coluna mostra o SSD adquirido conforme mostra a figura acima, a segunda mostra um HD de 1TB 7200 RPM instalado diretamente no computador pelo barramento SATA 3, a terceira mostra um HD externo de 2 TB 7200 RPM conectado em uma entrada USB 3.0, e a quarta mostra um HD de 1 TB 7200 RPM conectado em uma entrada USB 2.0 . O Software utilizado foi o CrystalDiskMark. Foram realizados 5 tetes para cada um dos dispositivos, e o número final mostrado em cada quadro é uma média dos resultados. A massa de dados para o teste ocupava 100 MB. A primeira linha considera a leitura/escrita sequencial, ou seja, como se os HDs não possuíssem fragmentação. A segunda linha considera a leitura/escrita em blocos do tamanho de 512kb, a terceira com blocos de 4kb, e a quarta com os mesmos 4 kb, mas com uma fila de 32 atividades de input/output a serem realizadas. Com isso, percebe-se que da primeira até a quarta linha são quatro cenários distintos para os dispositivos.

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Ao analisar os números, fica nítico que o SSD é muito superior a todos os HDs em leitura (Read MB/S). Em escrita (Write MB/S) este fica no mesmo ritmo do cenário perfeito dos HDs (sequencial). Contudo, percebe-se que em cenários mais desfavoráveis (terceira e quarta linhas), o SSD é amplamente superior. Outro detalhe que vale a pena ser mencionado é a impressionante diferença entre o HD conectado em USB 3.0 comparado ao outro HD conectado em USB 2.0.

Claro que os resultados acima são apenas números, mas na prática isso significa que durante a execução das aplicações mais pesadas, seja uma IDE ou um jogo, os tempos de carregamento serão bastante minimizados. Caso o leitor já tenha experimentado jogar alguns títulos em cartucho, como foram nos saudosos tempos de Snes, Sega Genesis ou Nintendo 64, se lembrará que os jogos praticamente não possuíam carregamentos, ou loadings. A história não é muito diferente aqui, o carregamento é muito mais rápido. Não se trata apenas de carregamentos rápidos na inicialização do Windows ou de algum outro aplicativo pesado, mas sim de qualquer carregamento que envolva o dispositivo no qual estão as instalações dos aplicativos, seja na abertura, execução ou encerramento do aplicativo. E estes carregamentos acontecem a todo instante, tendo em vista que Sistemas Operacionais gerenciam a memória por segmentação/paginação, ou seja, a todo instante alguma informação é carregada dos HDs (ou SSDs) para a memória RAM, e não apenas quando os aplicativos são inicializados.

E quanto a instalação dos SSDs, esta parte é bastante trivial tanto em computadores desktop quanto em PCs. O SSD possui tamanho 2.5, o mesmo de HDs para notebooks e consoles, facilitando a troca. Algumas marcas de SSDs ainda vêm com um adaptador para instalação no PC, como mostra a figura abaixo (seta azul marcando o SSD instalado, cor vermelho).

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Para notebooks, trocar o HD geralmente é simples, visto que não precisa desmontá-lo todo para tal finalidade, como mostra a figura abaixo.

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Concluindo, o upgrade do SSD não é para quem apenas utiliza navegador, office, dentre outros programas relativamente leves. Este upgrade é para quem utiliza aplicativos mais pesados, como um emulador de Android, ou um Autocad, dentre vários outros. E está claro que este upgrade é tão ou mais importante do que apenas processador/memória/placa mãe. Após a aquisição do SSD, fiz um post no GUJ (Grupo de Usuários Java) compartilhando os resultados deste investimento, e dentre vários comentários, acho que vale destacar o do usuário s4nchez, que trabalha no Reino Unido e possui um depoimento interessante, validando o que foi dito aqui. Segue abaixo:

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Segue abaixo um vídeo com o comparativo. . E aí, vale ou não o investimento?

About CarlosEduardoXP

Especialista em desenvolvimento de Sistemas Distribuídos, sempre aplicando boas práticas e padrões difundidos na comunidade. Auto didata, fanático por refatoração e performance, sempre buscando reutilização e testes automatizados cada vez mais eficazes.
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2 Responses to SSD: um excelente upgrade para Desenvolvedores de Software

  1. Ótima explicação na prática do que podemos obter em termos de performance com um simples upgrade de HD. Claro que os SSDs ainda têm pouca utilização, justificando seu alto custo. A tendência é que, quando estes obterem capacidade de armazenamento compatível com os atuais HDs, sua procura será maior e, consequentemente, o preço será mais acessível. Indispensável, para aqueles que estão pensando em upgrade de computador, considerar a aquisição de um SSD. Os espaços ofertados hoje são suficientes para instalação do sistema operacional e de programas mais pesados que vão ter grande benefício com o uso da tecnologia. Um abraço Carlos Eduardo!

  2. Fábio says:

    Da minha experiência com SSD posso falar do custo benefício: com 5 PCs no escritório e 3 no setor de arte comecei a trocar por SSD a 3 anos atrás com os SSDs sata2. Para produtividade é o melhor UPgrade, principalmente quando a luz do HD fica piscando direto. Photoshop, corel, PDFs, Windows 7, Netbeans, todos esses softwares sentiram de forma espetacular a troca. Já os HDs de 80 GB sata2 que sobraram, coloquei em 2 PC com o aranjo raid0 4x que ficaram tão bom quanto os com SSD.

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