A fantástica sétima geração dos jogos: onde o realismo vai chegar?

As férias chegaram (pelo menos aos sábados e durante o período noturno) e, consequentemente, apareceu algum tempo para jogar alguns dos últimos lançamentos da atual geração. Para ser honesto, comprei e fiz o download de vários jogos, mas, por enquanto, terminei apenas 3 destes: Uncharted 3, Batman Arkham City e Red Dead Redemption. E, a cada jogo terminado, venho percebendo como as coisas mudaram, como os jogos evoluíram, talvez para um patamar jamais imaginado durante a minha infância de Pitfall, Alex Kidd e Super Mario World: muitos jogos se transformaram em filmes jogáveis, sendo que estes obtém respeito até dos pré-conceituosos de plantão. Posso provar isso com facilidade: quando recebo visita da minha mãe, e esta me vê jogando algo como Mortal Kombat 9, imediatamente sou questionado do porque de ainda me envolver com as mesmas coisas de quando era criança. Porém, ao me ver jogando ou assistindo uma cena de Uncharted 3, a pergunta é outra: “que filme você está assistindo?”. Ao responder que se trata de um jogo, a admiração é instantânea. E não é para menos. Red Dead Redemption custou mais de U$ 100 milhões para ser feito, ou seja, mais caro do que muitos filmes de Hollywood. Chega a ser ridículo comparar com orçamentos de jogos da minha infância: Doom (lançado em 1993), por exemplo, custou “apenas” U$ 200 mil.

Mas, o que de fato faz jogos como os mencionados acima conseguirem prender tanto à atenção de um adulto, da mesma forma que os jogos dos anos 80, 90 assim o faziam quando criança? É simples, o foco mudou. Claro que, para quem apenas vê um adulto com um joystick na mão, olhando atentamente para uma TV, a sensação é de que não mudou absolutamente nada. Posso falar por mim: durante a minha infância nos anos 80, 90, era legal jogar 300 lutas de Street Fighter por dia, ou ficar infinitamente comendo pastilhas e matando fantasminhas em Pacman. Fazíamos isto na ânsia de jogar mais e mais para aprender novos golpes ou conseguir mais pontos. Contudo, para um adulto, isto não tem mais graça. Um jogo como Street Fighter, ou até jogos atuais como Fifa 2012, hoje, não conseguem “roubar” mais de meia hora por semana, se transformando em jogos “casuais”. O que de fato consome o tempo de um adulto é a história que vai se desenrolando na medida que se avança no jogo, ou seja, a curiosidade em saber o que vai acontecer na história e não quantos pontos serão obtidos ou quais poderes serão aplicados. Tudo isso aliado ao fato do jogador poder controlar o ator principal da história, tomando decisões. Começar a jogar algo como Uncharted 3, é como começar a assistir um filme. No começo, não se sabe direito o que está acontecendo, mas, ao chegar a um certo ponto (seja jogo ou filme), não se consegue mais parar (de jogar ou assistir) até chegar no final para saber o que vai acontecer na história. Claro que algumas pessoas podem contestar esta afirmação, porque muitos jogos antigos também possuem história, mas antigamente estas eram contadas em meros parágrafos, gráficos desenhados e longe do real, além da maioria dos textos e diálogos estarem em inglês ou japonês. Hoje é muito diferente, os jogos são cinematográficos, possuem diálogos falados, intérpretes, a única diferença é que o personagem é um avatar que você pode controlar e tomar decisões. Também existe o fator de muitos jogos já possuírem legenda e tradução para nosso idioma, facilitando a compreensão da história.

Eterno clássico jogado na infância

Jogo da fase “adulta”

Analisando o que foi mencionado até então, fica fácil de perceber como é impressionante a imersão nos jogos atuais. Neste caso, chamamos de imersão o realismo dos aspectos do jogo, ou seja, até que ponto o realismo do jogo te induz a se sentir inserido virtualmente dentro do contexto, talvez como um sonho (ou seria maluquice???). Para ilustrar melhor o conceito, serão mostradas 2 imagens abaixo: uma se trata do mega clássico goldeneye 007 lançado em 1997 para Nintendo 64 e a outra se trata do mesmo jogo, porém, recriado, em 2011, para Playstation 3 e Xbox 360.

Versão original, 1997

Remake de 2011

Não dá sequer para começar uma comparação. O jogo de 1997, eu e milhares de outros garotos jogamos até calejar os dedos, até terminar todas as 20 missões em 00 agent. Na época, lia todos os textos, todas as missões, estava absolutamente a par da história. Mas, ao jogar o remake criado em 2011, a sensação é de que eu não tinha a menor idéia do que se passava no local, é como ler um livro de uma história que você não viu ao vivo e à cores. Então, não é difícil dizer que, ao jogar o remake, você se sente como o James Bond, porém, controlando um avatar virtual. Ou, ao jogar Red Dead Redemption, você se sente como um Cowboy do velho oeste. Sensação esta se torna ainda maior ao jogar Batman Arkham City: o mundo aberto da prisão Arkham é tão real, que ao controlar o Batman, você se sente na pele do herói, tomando ações, seja para salvar alguém ou para deter os bandidos.

Com isso, imagino o que teremos em mãos na oitava geração, que começará neste ano de 2012 com o WiiU e se consolidará em 2013, no mais tardar em 2014 com Xbox 720 e Playstation 4. Já vi relatos de produtoras alegando que teremos jogos com gráficos semelhantes ao filme Avatar. Será? É esperar para ver…

About CarlosEduardoXP

Especialista em desenvolvimento de Sistemas Distribuídos, sempre aplicando boas práticas e padrões difundidos na comunidade. Auto didata, fanático por refatoração e performance, sempre buscando reutilização e testes automatizados cada vez mais eficazes.
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5 Responses to A fantástica sétima geração dos jogos: onde o realismo vai chegar?

  1. Leandro Lamounier says:

    Muito bem colocado meu amigo…

    Uncharted 3 é um ótimo exemplo de uma obra de arte, e não só ele, mas vários jogos atuais devem ser considerados uma forma de arte, assim como filmes. Muitas pessoas não tem noção disso.
    Pra mim, jogar um game como Uncharted 3 é uma experiência ainda mais evoluída do que assistir a um filme, a imersão se torna maior tendo em vista que você está no controle do personagem.. Mesmo que os eventos sejam programados para acontecer em determinados momentos e locais.

    Estou realmente ansioso pela próxima geração, mas antes disso, ansioso também por jogos como o The Last of Us, o novo Tomb Raider e Mass Effect 3… Mais três games que acredito que levam a experiência da imersão ao nível máximo.

    Enfim, ótimo post!

  2. Ao ler seu comentário, me lembrei de Assassin´s Creed. Não conheço a Itália, mas muitas pessoas juram de pés juntos que os cenários do jogo são idênticos ao que existe por lá.. hehe

    • Leandro Lamounier says:

      Verdade, já vi muita gente falando isso também.
      Assassin’s Creed é outro exemplo de imersão absoluta… Retratar cenários reais, e misturar história antiga com a trama do jogo é fantástico.

  3. Thiago Pelegrine says:

    Muito bom, me vi em uma situação parecida com a tua me indagando sobre o realismo nos games. Também com um tempinho extra e fan de jogos de guerra , resolvi então comprar 2 grandes títulos do ps3 Battlefield 3 e Call of Duty MW3, é incrivel como disse a vontade de se desenrolar a história para saber o fim ( SinglePLayer ), quanta perfeição tem estes games. Me lembro do primeiro grande game de guerra em que joguei foi Medal of Honor do PS1 lançado em 1999, eu adorava jogar aquele simplório multiplayer com os amigos.

    Que real ficou a guerra em Battlefield 3, muito bom entrar em um server com com 24 players (limite para console) trocando tiros entre armas, tanks , aviões e helicópteros . Realmente valeu a pena e para quem também gosta do estilo de jogo, recomendo.

    Cadu temos que marcar uma jogatina hehe.. Criei uma psn nova add aí pelegrini89.

  4. Pingback: baixar Ze filmes

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